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Atalhos no ChatGPT: da foto do produto à vista explodida

Mandei uma foto de mouse e digitei /explodedview. Um minuto depois, tinha o produto aberto peça por peça — e um blueprint da roda de rolagem na sequência.

Heitor SalgadoHeitor Salgado · 04 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
A vista explodida que o ChatGPT gerou a partir de uma foto do mouse, com os 8 componentes numerados. Print do meu teste.
A vista explodida que o ChatGPT gerou a partir de uma foto do mouse, com os 8 componentes numerados. Print do meu teste.
Neste texto
  1. O que você precisa
  2. Por que um atalho inventado funciona
  3. Passo 1 — /explodedview na foto do produto
  4. Passo 2 — Numerar e legendar os componentes
  5. Passo 3 — /blueprint num componente
  6. A receita pra criar o seu atalho
  7. O resultado

Peguei uma foto de um mouse sem fio — desses de jogo, casca branca, lateral preta. Colei no ChatGPT (rodando o modelo Sol 5.6) e digitei uma palavra só: /explodedview. Ele pensou por 1 minuto e 21 segundos e me devolveu o mouse aberto no ar, peça por peça: carcaça, botões, rodinha, bateria, placa, base. Design e cores preservados.

Aí eu quis ver até onde ia. Pedi a numeração dos componentes. Depois digitei /blueprint item 03 roda de rolagem — e recebi uma prancheta técnica da rodinha, com vista isométrica, frontal, lateral, superior e o conjunto desmontado.

Antes que você pergunte: não, esses atalhos não existem oficialmente. Não tem uma lista escondida no ChatGPT com /explodedview dentro. E é exatamente por isso que este texto existe.

Neste texto você vai sair sabendo: por que atalhos inventados funcionam; os três que eu uso pra explorar qualquer produto visualmente; e a receita pra criar os seus.

O que você precisa

  • Conta no ChatGPT com geração de imagem (testei no modelo Sol 5.6; em modelos com imagem mais antigos o resultado cai de qualidade).
  • Uma foto do produto — pode ser sua, de qualquer ângulo que mostre o objeto inteiro.
  • Nenhum conhecimento de desenho técnico. Zero.

Por que um atalho inventado funciona

Um atalho desses é só uma instrução compactada. Quando você digita /explodedview junto de uma foto, o modelo lê como se você tivesse escrito: “gere uma vista explodida deste produto, separando os componentes no ar, preservando o design”. A barra na frente sinaliza “isto é um comando, não uma conversa” — e a palavra escolhida carrega o pedido inteiro.

É a mesma lógica que programadores usam há tempos: eu vivo mandando /debug, /review-code, /refactor — e o modelo entende o ritual sem eu escrever três parágrafos.

Tabela de atalhos informais para programação: /debug investiga a causa de um erro, /fix corrige, /review-code revisa qualidade, /refactor reorganiza, /test cria testes, /document escreve documentação, /optimize melhora desempenho, /explain-code explica, /scaffold cria estrutura, /migrate planeja migração, /security-review analisa vulnerabilidades. Os atalhos que eu uso pra código. O padrão é o mesmo: palavra curta, pedido inteiro.

A vantagem sobre escrever o pedido por extenso: o atalho é consistente. Você digita a mesma coisa toda vez, o modelo responde do mesmo jeito toda vez. Vira ferramenta.

Passo 1 — /explodedview na foto do produto

Cole a foto e digite:

Comando — copie e cole

/explodedview

Só isso. O meu teste, com a foto do mouse:

Print do ChatGPT: foto do mouse enviada com o comando /explodedview; o modelo pensou por 1m21s e respondeu com a vista explodida do mouse, preservando design, cores e componentes. O teste real: uma foto, uma palavra, 1m21s de espera.

Na primeira tentativa, mandei uma foto com o mouse em cima de papéis e cabo atravessado. A vista explodida veio com um cabo que o mouse (sem fio!) não tem. Foto limpa, fundo neutro, resultado limpo. A IA explode o que ela vê — inclusive a bagunça.

Passo 2 — Numerar e legendar os componentes

Com a vista explodida na conversa, peça a versão didática:

Comando — copie e cole

Agora numere cada componente na imagem e gere uma legenda ao lado, no estilo de manual de produto: 01, 02, 03… com o nome de cada peça em português.

Vista explodida do mouse com componentes numerados de 01 a 08 e legenda: carcaça superior, botões principais, roda de rolagem, botões laterais, bateria recarregável, placa eletrônica, estrutura interna e base inferior. O resultado numerado. Isto aqui é uma imagem de manual — feita a partir de uma foto comum.

Repare que a numeração vira endereço: agora dá pra apontar pra qualquer peça pelo número. É o que o próximo passo usa.

Passo 3 — /blueprint num componente

Escolha uma peça da legenda e digite:

Comando — copie e cole

/blueprint item [03] [roda de rolagem]

Print do ChatGPT com o comando /blueprint item 03 roda de rolagem e a resposta: blueprint técnico com vistas isométrica, frontal, lateral, superior e detalhe explodido do conjunto. Mais 1m19s de espera e a rodinha virou prancheta técnica.

Blueprint em alta resolução do item 03, roda de rolagem: fundo azul de prancheta, vista isométrica com anel de borracha, cubo interno, eixo central e suporte/encoder, vistas frontal, lateral e superior com cotas, e detalhe do conjunto desmontado. Selo: dimensões conceituais. O blueprint completo. Olhe o selo no canto: “dimensões conceituais” — guarde isso pros Cuidados.

Testei também /xray (o produto em transparência, mostrando o interior no lugar) e /cutaway (corte em fatia). Funcionam na mesma lógica. O que não funcionou: pedir a vista explodida de algo que a foto não mostra por inteiro — de meia lateral de notebook ele inventou metade da máquina.

A receita pra criar o seu atalho

  1. Escreva o pedido completo uma vez, do jeito difícil, até o resultado sair como você quer.
  2. Batize: uma palavra em inglês curta com / na frente (o modelo associa melhor o padrão em inglês: /explodedview, não /vistaexplodida — embora os dois costumem funcionar).
  3. Na primeira mensagem da conversa, ensine: “quando eu digitar /meuatalho, faça [pedido completo]”. Nas seguintes, só o atalho.
  4. Se usar sempre, cole a definição nas instruções personalizadas do ChatGPT — aí vale pra toda conversa nova.

O resultado

2comandos da foto ao blueprint
~1m20sde espera por imagem gerada
0conhecimento de CAD ou desenho técnico

Pra que serve na prática: aula e treinamento (mostrar como um produto funciona por dentro), documentação e manual interno, post de produto pra loja, apresentação — e pura curiosidade de desmontar sem quebrar.

Cuidados. As peças e medidas são plausíveis, não reais — a IA nunca viu o interior do seu produto; ela deduz pelo que produtos parecidos têm. O próprio blueprint carimba “dimensões conceituais”: serve pra explicar e ilustrar, nunca pra fabricar peça, pedir reposição ou tirar medida. E foto de produto com marca gera imagem com o logo da marca: pra estudo e conteúdo editorial, tranquilo; pra anúncio ou material comercial, não use a marca dos outros. Atalhos não são recurso oficial — podem responder diferente entre modelos e versões.
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Revisado em 04/09/2026
Heitor Salgado
Heitor Salgado

12 anos em TI. Largou o CLT pra testar ferramentas de IA em tempo integral, pagando os planos do próprio bolso. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.

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