Atalhos no ChatGPT: da foto do produto à vista explodida
Mandei uma foto de mouse e digitei /explodedview. Um minuto depois, tinha o produto aberto peça por peça — e um blueprint da roda de rolagem na sequência.
Neste texto
Peguei uma foto de um mouse sem fio — desses de jogo, casca branca, lateral preta. Colei no ChatGPT (rodando o modelo Sol 5.6) e digitei uma palavra só: /explodedview. Ele pensou por 1 minuto e 21 segundos e me devolveu o mouse aberto no ar, peça por peça: carcaça, botões, rodinha, bateria, placa, base. Design e cores preservados.
Aí eu quis ver até onde ia. Pedi a numeração dos componentes. Depois digitei /blueprint item 03 roda de rolagem — e recebi uma prancheta técnica da rodinha, com vista isométrica, frontal, lateral, superior e o conjunto desmontado.
Antes que você pergunte: não, esses atalhos não existem oficialmente. Não tem uma lista escondida no ChatGPT com /explodedview dentro. E é exatamente por isso que este texto existe.
Neste texto você vai sair sabendo: por que atalhos inventados funcionam; os três que eu uso pra explorar qualquer produto visualmente; e a receita pra criar os seus.
O que você precisa
- Conta no ChatGPT com geração de imagem (testei no modelo Sol 5.6; em modelos com imagem mais antigos o resultado cai de qualidade).
- Uma foto do produto — pode ser sua, de qualquer ângulo que mostre o objeto inteiro.
- Nenhum conhecimento de desenho técnico. Zero.
Por que um atalho inventado funciona
Um atalho desses é só uma instrução compactada. Quando você digita /explodedview junto de uma foto, o modelo lê como se você tivesse escrito: “gere uma vista explodida deste produto, separando os componentes no ar, preservando o design”. A barra na frente sinaliza “isto é um comando, não uma conversa” — e a palavra escolhida carrega o pedido inteiro.
É a mesma lógica que programadores usam há tempos: eu vivo mandando /debug, /review-code, /refactor — e o modelo entende o ritual sem eu escrever três parágrafos.
Os atalhos que eu uso pra código. O padrão é o mesmo: palavra curta, pedido inteiro.
A vantagem sobre escrever o pedido por extenso: o atalho é consistente. Você digita a mesma coisa toda vez, o modelo responde do mesmo jeito toda vez. Vira ferramenta.
Passo 1 — /explodedview na foto do produto
Cole a foto e digite:
/explodedview
Só isso. O meu teste, com a foto do mouse:
O teste real: uma foto, uma palavra, 1m21s de espera.
Na primeira tentativa, mandei uma foto com o mouse em cima de papéis e cabo atravessado. A vista explodida veio com um cabo que o mouse (sem fio!) não tem. Foto limpa, fundo neutro, resultado limpo. A IA explode o que ela vê — inclusive a bagunça.
Passo 2 — Numerar e legendar os componentes
Com a vista explodida na conversa, peça a versão didática:
Agora numere cada componente na imagem e gere uma legenda ao lado, no estilo de manual de produto: 01, 02, 03… com o nome de cada peça em português.
O resultado numerado. Isto aqui é uma imagem de manual — feita a partir de uma foto comum.
Repare que a numeração vira endereço: agora dá pra apontar pra qualquer peça pelo número. É o que o próximo passo usa.
Passo 3 — /blueprint num componente
Escolha uma peça da legenda e digite:
/blueprint item [03] [roda de rolagem]
Mais 1m19s de espera e a rodinha virou prancheta técnica.
O blueprint completo. Olhe o selo no canto: “dimensões conceituais” — guarde isso pros Cuidados.
Testei também
/xray(o produto em transparência, mostrando o interior no lugar) e/cutaway(corte em fatia). Funcionam na mesma lógica. O que não funcionou: pedir a vista explodida de algo que a foto não mostra por inteiro — de meia lateral de notebook ele inventou metade da máquina.
A receita pra criar o seu atalho
- Escreva o pedido completo uma vez, do jeito difícil, até o resultado sair como você quer.
- Batize: uma palavra em inglês curta com
/na frente (o modelo associa melhor o padrão em inglês:/explodedview, não/vistaexplodida— embora os dois costumem funcionar). - Na primeira mensagem da conversa, ensine: “quando eu digitar /meuatalho, faça [pedido completo]”. Nas seguintes, só o atalho.
- Se usar sempre, cole a definição nas instruções personalizadas do ChatGPT — aí vale pra toda conversa nova.
O resultado
Pra que serve na prática: aula e treinamento (mostrar como um produto funciona por dentro), documentação e manual interno, post de produto pra loja, apresentação — e pura curiosidade de desmontar sem quebrar.
12 anos em TI. Largou o CLT pra testar ferramentas de IA em tempo integral, pagando os planos do próprio bolso. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
Todos os textos de Heitor →Mais de Rankings de IA
Como criar skills no ChatGPT: do atalho à ferramenta fixa
Atalho bom morre quando a conversa fecha. Skill é quando ele vira permanente. Os 4 níveis que eu uso — conversa, instruções, memória e GPT próprio.