Documentos do Imposto de Renda da família com IA: checklist em 15 min
Três comandos pra montar o checklist por tipo de renda, uma pasta por mês e lembretes que chegam antes do prazo. A IA organiza e explica. Declarar, ela não declara.
Neste texto
Dia 28 de maio, 23h10. Dois dias pro prazo do Imposto de Renda. Eu, analista contábil, que passei o mês inteiro cobrando informe de rendimento de 40 clientes, estava sentado na mesa da cozinha sem o informe do plano de saúde da Bia. Tinha vindo por e-mail em fevereiro. Em qual e-mail? Rapaz, a Cláudia só olhou pra mim e foi dormir.
Todo ano é isso. Em janeiro eu juro que vou guardar tudo numa pasta. Em março os informes chegam por e-mail, aplicativo, carta, portal. Em abril eu abro 11 abas e não acho nada. E olha que no escritório eu tenho sistema. Em casa eu tinha uma gaveta.
Esse ano fiz diferente, e fiz em maio, logo depois do susto. Pedi pro ChatGPT montar o checklist da minha família, uma pasta por mês e lembretes. Quinze minutos. E já aviso o que ele não faz: declarar. Nem calcular. Isso continua sendo com você, ou com o contador.
Neste texto você vai sair sabendo: montar um checklist de documentos por tipo de renda da sua família; organizar uma pasta simples que enche sozinha ao longo do ano; e criar lembretes pra não repetir o dia 28 de maio.
O que você precisa
- Celular ou computador. Fiz no computador porque queria copiar o checklist pra uma planilha depois.
- Conta grátis no ChatGPT.
- Saber de onde vem o dinheiro da casa: salário, aposentadoria, aluguel, bico, aplicação. Não precisa de valor. Só o tipo.
- 15 minutos. E uma regra que vale mais que o resto: não cole CPF, número de conta, senha nem valor de saldo no comando. Ele não precisa disso pra organizar.
Passo 1 — Monte o checklist por tipo de renda
O erro de todo mundo, e o meu, era procurar uma “lista de documentos do Imposto de Renda” genérica. Ela tem 60 itens e 40 não servem pra você. O certo é dizer o que a sua família tem e deixar ele filtrar.
Sou o responsável pela declaração de Imposto de Renda da minha família. Monte um checklist de documentos, separado por pessoa e por tipo de renda, sem pedir nenhum dado pessoal. Situação: eu tenho [salário de empresa privada]; minha esposa tem [salário de empresa privada e um aluguel que recebe]; temos [2 filhos dependentes, um na escola particular]; temos [plano de saúde da família, um carro, um apartamento financiado e uma aplicação em banco]. Pra cada item diga: o nome do documento, quem envia (empresa, banco, escola, plano), em que mês costuma chegar e por onde (e-mail, aplicativo, carta). Marque com um asterisco o que a maioria esquece.
Saíram 23 itens em quatro blocos. Bloco meu: informe de rendimentos da empresa, informe do banco. Bloco da Cláudia: informe da empresa dela, recibos do aluguel e o carnê-leão. Bloco dos filhos: informe da escola do Léo, plano de saúde da família com valor por pessoa, despesas médicas com recibo. Bloco de bens: informe do financiamento, documento do carro, informe da aplicação. Com asterisco: plano de saúde por dependente, recibo de dentista e o informe do financiamento — os três que eu já tinha esquecido em anos diferentes.
Aqui ele errou, e eu quase deixei passar. Colocou “informe de rendimentos do INSS” no bloco da Cláudia. Ela não é aposentada. Ele juntou “aluguel” com “aposentadoria” na cabeça dele, sei lá por quê. Mandei “a Cláudia não recebe INSS, tira” e ele tirou. Leia o checklist inteiro. É a sua família, não a dele.
Como profissional, uma coisa que quero deixar clara: esse checklist é organização, não orientação tributária. Se um item deve ou não entrar na declaração, quanto abate, se o aluguel é isento — isso a IA vai responder com confiança e às vezes errado. Eu mesmo, no escritório, não respondo sem olhar a regra do ano. Pra família, o checklist serve pra não faltar papel. Ponto.
Passo 2 — Uma pasta por mês (e um nome que a Cláudia entende)
Documento que chega em fevereiro e é procurado em abril precisa de um lugar. O meu erro antigo era uma pasta chamada “IR” com 80 arquivos com nome “documento(3).pdf”. Dessa vez pedi um sistema que a Cláudia usasse sem me perguntar.
Com base nesse checklist, monte uma estrutura de pastas simples pra eu criar no [Google Drive], com uma pasta por mês do ano, e me diga em qual mês cada documento do checklist deve ser guardado. Crie também uma regra de nome de arquivo curta, que qualquer pessoa da casa consiga seguir, tipo “mês-pessoa-documento”. Dê 5 exemplos de nomes prontos. Sem nenhum dado pessoal nos exemplos.
Ele sugeriu a pasta “IR-2027” (o ano da declaração, não do dinheiro — boa sacada, porque é assim que a gente confunde) e dentro dela 12 pastas de “01-Janeiro” a “12-Dezembro”, mais uma “00-Checklist”. A regra de nome: “02-claudia-informe-empresa.pdf”, “03-bia-plano-saude.pdf”. Simples de um jeito que eu, sozinho, não teria feito. Eu teria criado subpasta dentro de subpasta.
Na primeira versão ele mandou 12 pastas de mês mais 6 pastas por tipo de documento, dentro de cada mês. Setenta e duas pastas. Eu, que gosto de sistema, achei bonito. A Cláudia achou um absurdo. Ela tinha razão: pasta demais é gaveta de novo. Mandei “só o mês, sem subpasta” e ficou.
Criei as pastas em 4 minutos. A regra vale pra todo mundo: recibo de dentista da Bia vira foto e vai pra “05-Maio” como “05-bia-dentista.jpg”. O Léo aprendeu em um minuto e agora guarda os dele.
Passo 3 — Lembretes antes do prazo, não depois
O checklist diz o mês em que cada informe chega. Então dá pra pedir os lembretes prontos: o que cobrar, de quem, quando. Eu coloquei no calendário do celular, mas serve agenda de papel.
Agora monte um calendário de lembretes desse checklist, do formato “dia — o que fazer — de quem cobrar se não chegou”. Considere que a maioria dos informes chega em fevereiro e março, e que o prazo de entrega da declaração costuma ser o fim de maio [conferir no site da Receita Federal o prazo deste ano]. Inclua um lembrete mensal curto do tipo “guardou os recibos do mês?”. Formato de lista pra eu copiar pro calendário do celular.
Vieram 16 lembretes. Dia 5 de cada mês: “guardou os recibos?”. Dia 10 de março: “chegou o informe da empresa? Se não, cobrar o RH”. Dia 15 de março: “informe do banco no aplicativo, aba documentos”. Dia 1 de abril: “conferir o checklist inteiro, marcar o que falta”. E um no dia 30 de abril: “se tudo estiver na pasta, marcar hora com o contador ou sentar pra declarar”.
Ele escreveu “prazo final: 30 de abril” com toda a segurança do mundo. O prazo dos últimos anos tem sido no fim de maio, e muda. Por isso o “[conferir no site da Receita Federal]” está no comando: a IA não sabe a data deste ano, e vai chutar com cara de quem sabe. Confirmei no site oficial e corrigi o lembrete.
Levei 6 minutos pra passar os 16 pro calendário compartilhado. A Cláudia me cobrou no dia 5 de junho: “guardou os recibos?”. Tinha guardado.
O resultado
Hoje a pasta “IR-2027” tem 4 meses cheios e nenhum arquivo chamado “documento(3).pdf”. O checklist está impresso na porta da geladeira, ao lado do cardápio, com 4 dos 23 itens já riscados (os que chegam mês a mês). E o informe do plano de saúde da Bia, o vilão do dia 28 de maio, tem lembrete no dia 10 de março com o nome de quem cobrar.
Não sei ainda quantas horas vou economizar em abril de 2027 — sou de planilha, não prometo número que não medi. Mas sei quantas horas perdi em 2026: umas 6, contando as 11 abas. Se sobrar metade disso, já paga os 15 minutos.
Analista contábil, casado com a Cláudia, pai do Léo e da Bia. Usa IA pra tudo que é chato em casa. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
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