Roteiro de viagem com IA: 5 dias em família por R$ 3.870
Três comandos, um destino nacional e um orçamento fechado. No fim, você sai com o roteiro dia a dia, os custos somados e a mala pronta.
Neste texto
Junho, sábado de manhã, mesa do café. O Léo, 15 anos, soltou: “a gente nunca viaja”. A Bia concordou. A Cláudia olhou pra mim. Rapaz, eu tinha R$ 4.000 guardados na linha “viagem” da planilha e nenhuma ideia do que fazer com eles.
Tentei do jeito antigo. Abri 11 abas no navegador, dois sites de hotel, três de passagem. Duas horas depois eu tinha um caderno rabiscado, uma dor de cabeça e nenhum roteiro. A Cláudia perguntou “e aí?” e eu disse “tá quase”. Não estava.
No domingo, resolvi tratar a viagem como trato um orçamento: dei os números pro ChatGPT e pedi pra ele fechar a conta. Em 25 minutos eu tinha o roteiro de 5 dias, o custo de cada dia e a lista do que levar. Fechou em R$ 3.870. Sobraram R$ 130 pra emergência. Não sou de tecnologia, sou de planilha. Se eu consigo, você consegue.
Neste texto você vai sair sabendo: escolher um destino que cabe no seu dinheiro; montar o roteiro dia a dia com o custo de cada coisa; fazer a lista do que levar pra cada pessoa da casa.
O que você precisa
- Celular serve. Eu fiz no computador pra ver a tabela inteira.
- Conta grátis no ChatGPT. Não precisa pagar.
- Um valor fechado. O meu era R$ 4.000, e não podia passar.
- Quantos dias, quantas pessoas e a idade de cada um.
- 25 minutos, mais uns 30 pra conferir os preços nos sites de verdade.
Passo 1 — Dê o orçamento e peça três destinos
Não peça “um lugar legal”. Peça três opções que caibam no dinheiro, saindo da sua cidade, com custo estimado de cada uma. Assim você escolhe com número na mão. Eu não disse o nome da minha cidade aqui, mas no comando você precisa dizer.
Vou viajar em julho com minha família: [2 adultos, 1 adolescente de 15 e 1 criança de 11]. Saímos de [sua cidade e estado], de carro próprio, por [5 dias e 4 noites]. Tenho no máximo [R$ 4.000] pra tudo: gasolina, hospedagem, comida e passeios. Me dê 3 destinos no Brasil a no máximo [6 horas] de carro, com estimativa de custo total de cada um, separando gasolina, hospedagem e comida. Quero lugar com coisa pra adolescente e criança fazerem, não só pra adulto.
Ele me deu três opções: uma cidade histórica com cachoeira, uma cidade de praia e uma serra com parque. Cada uma com a conta separada. A cidade histórica fechava em R$ 3.600. A praia estourava: R$ 4.700, por causa da hospedagem em julho.
Na primeira tentativa esqueci de falar que era julho. Ele calculou hospedagem em preço de maio, baixo. Quando corrigi, a praia subiu R$ 900. Diga o mês: em alta temporada tudo muda.
Escolhemos a cidade histórica. A Bia por causa da cachoeira, o Léo porque tinha trilha, a Cláudia porque tinha pousada com café da manhã. Eu porque cabia.
Passo 2 — Peça o roteiro dia a dia, com preço em cada linha
Agora o comando principal. O truque é pedir o custo de cada coisa e um total no fim de cada dia. Sem isso ele monta um roteiro lindo que não cabe no bolso.
Escolhi [nome da cidade]. Monte o roteiro dia a dia, de [dia 1 a dia 5], com manhã, tarde e noite. Para cada passeio, diga: o que é, quanto custa por pessoa (ou se é de graça), e quanto tempo leva. Inclua as refeições com valor estimado pra 4 pessoas. No fim de cada dia, some o gasto do dia. No fim do roteiro, some tudo e compare com meu limite de [R$ 4.000]. Intercale dia pesado com dia leve, porque a criança de 11 anos cansa.
Vieram cinco dias, em tabela. Dia 1: viagem, chegada, jantar na pousada, R$ 410 com gasolina. Dia 2: centro histórico de manhã, museu de tarde (R$ 20 por pessoa, criança não paga), R$ 380. Dia 3: cachoeira, o dia inteiro, lanche de mochila, R$ 190. Dia 4: trilha de manhã, tarde livre na piscina da pousada, R$ 310. Dia 5: café e volta, R$ 260. Hospedagem: 4 noites, R$ 1.960. Total: R$ 3.510.
O roteiro dele tinha três museus no mesmo dia. Museu pra adolescente de 15 anos é um; três é castigo. Mandei “troca dois museus por algo ao ar livre” e ele colocou um mirante de graça e um passeio de bicicleta a R$ 25 por pessoa. O Léo agradeceu.
Aí veio a parte que ninguém pula: conferir. Abri o site da pousada. Os R$ 1.960 dele eram R$ 2.240 de verdade, em julho. Voltei na conversa, colei o valor certo e pedi pra refazer a soma. Foi pra R$ 3.790. A gasolina eu calculei por conta própria: 380 km ida e volta, meu carro faz 11 km por litro, R$ 6,20 o litro. Deu R$ 260, não os R$ 180 dele. Total final: R$ 3.870.
Passo 3 — Peça a lista do que levar, por pessoa
Todo ano a Bia esquecia o chinelo e a Cláudia esquecia o carregador. Dessa vez pedi a lista separada por pessoa, com base no roteiro que ele mesmo montou. Ele sabe que tem cachoeira, então põe toalha e roupa extra.
Com base nesse roteiro, monte a lista do que levar, separada por pessoa: [adulto 1, adulto 2, adolescente de 15, criança de 11]. Considere cachoeira, trilha e noites frias de julho na serra. Inclua uma lista separada de coisas da casa (documentos, remédios, carregadores, lanche pro carro). Em formato de lista com caixinha pra marcar, curta, sem repetir item.
Imprimi as quatro listas e colei uma na porta de cada quarto. Cada um fez a própria mala. A Bia levou o chinelo. A Cláudia levou o carregador. Eu esqueci o boné, porque a lista era pra eles e eu não li a minha.
Ele colocou “protetor solar” nas quatro listas. Um tubo só serve pra família inteira. Pedi “item que a família divide vai na lista da casa, não repete por pessoa” e a lista encolheu um terço.
O resultado
Voltamos numa quarta-feira à noite. O Léo dormiu no carro, a Bia contou a cachoeira pra avó por telefone durante 40 minutos. A Cláudia, no banco do carona, abriu a planilha da casa e digitou o total real da viagem: R$ 3.870. Menos do que o limite. Ela olhou pra mim e disse “ano que vem a praia”. Eu já sei que vai custar R$ 4.700.
Duas horas de aba aberta não fizeram o que 25 minutos de conversa fizeram. A diferença não foi a IA ser esperta. Foi eu dar o número e exigir a conta.
Analista contábil, casado com a Cláudia, pai do Léo e da Bia. Usa IA pra tudo que é chato em casa. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
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