Descrição de produto com IA em 1 minuto (roupa, sem inventar tecido)
Um comando, uma peça, três versões prontas — Instagram, WhatsApp e etiqueta. E o erro do "algodão egípcio" que quase foi parar na vitrine.
Neste texto
Quinta, 19h40. Loja fechada, 14 peças novas na arara e eu com o celular na mão pra postar. Escrevi “Vestido lindo, várias cores, chama no Whats 😍”. Postei. Duas mensagens: “qual o tecido?” e “serve em quem tem quadril largo?”. Eu sabia responder as duas. Mas a descrição não dizia, e a cliente que não pergunta simplesmente vai embora.
Gente, eu vendo roupa há 9 anos. Sei falar de peça no balcão o dia inteiro. O que eu não sabia era escrever isso em 3 linhas, 14 vezes, às 8 da noite, com fome. Hoje cada peça leva 1 minuto. E a descrição sai com tamanho, tecido, ocasião e como fica no corpo. Que é o que a cliente pergunta.
Neste texto você vai sair sabendo: escrever a descrição de uma peça de roupa em 1 minuto; gerar três versões da mesma descrição (Instagram, WhatsApp e etiqueta) de uma vez; e o que conferir antes de postar, porque a IA inventa tecido.
O que você precisa
- Conta grátis no ChatGPT. O Gemini faz igual, testei os dois; fiquei no ChatGPT porque já tenho a conversa da loja lá.
- Celular serve. Eu faço no celular mesmo, na frente da arara, com a peça na mão.
- A etiqueta da peça. Sério. Composição do tecido está lá, e é de lá que vem a informação, não da IA.
- 1 minuto por peça. Cronometrei numa arara de 14 peças: 16 minutos, contando o tempo de olhar etiqueta.
Passo 1 — Dê os dados da peça, não peça “uma descrição”
O erro que eu cometi na primeira semana foi pedir “descreva esse vestido”. Sai um texto de catálogo de shopping: “elegante, versátil, indispensável”. Não diz nada e não vende nada. A IA só escreve bem quando eu dou o que só eu sei: tecido da etiqueta, tamanhos que tenho, pra que ocasião e como fica no corpo.
Cole este comando, trocando o que está entre colchetes. Eu deixo salvo nas notas do celular.
Escreva a descrição de uma peça pra minha loja de roupas femininas de bairro. Dados: [vestido midi de viscose, estampa floral fundo azul-marinho]. Tamanhos: [P, M, G e GG]. Tecido pela etiqueta: [100% viscose]. Ocasião: [trabalho, almoço de domingo, batizado]. Como fica no corpo: [solto na cintura, alonga, não marca barriga]. Caimento: [tamanho normal, quem usa 42 pega M]. Regras: 4 linhas no máximo, tom de amiga que entende de moda, sem “elegante”, “versátil”, “imperdível” e sem inventar nada que eu não disse. Deixe o preço como [preço].
O que ela devolve, no caso do vestido: “Vestido midi de viscose, estampa floral no azul-marinho. Solto na cintura, alonga e não marca barriga. Vai do trabalho ao batizado sem trocar nada. P ao GG, quem usa 42 pega M. [preço].” Quatro linhas. Tudo verdade. Eu não teria escrito melhor às 8 da noite.
Na primeira vez eu não coloquei “sem inventar nada”. A IA escreveu “algodão egípcio de alta qualidade”. A etiqueta dizia 100% viscose. Se eu tivesse postado, a cliente que entende de tecido ia me chamar de mentirosa no comentário. Desde então, tecido vem da etiqueta e a frase “não invente” fica no comando.
A parte “como fica no corpo” é a que mais vende. Cliente não compra “vestido midi”. Compra “não marca barriga”. Eu sei disso porque é o que elas perguntam no provador. Então é o que vai na descrição.
Passo 2 — Três versões de uma vez: Instagram, WhatsApp e etiqueta
A mesma peça precisa de três textos diferentes. No Instagram tem gancho e chamada pro WhatsApp. No WhatsApp é resposta curta, sem emoji de propaganda, porque a cliente já está falando comigo. Na etiqueta é uma linha, 8 palavras, que vai impressa na tag de papel que a minha mãe pendura.
Na mesma conversa, logo depois da descrição, mando este.
Agora adapte essa descrição em 3 versões, mantendo só o que é verdade: 1) Instagram: primeira frase é um gancho de até 8 palavras, depois a descrição, termina com “chama no Whats”, máximo 3 hashtags. 2) WhatsApp: resposta pra cliente que perguntou “me fala desse vestido”, 3 linhas, sem hashtag, sem “olá prezada”, termina perguntando o tamanho dela. 3) Etiqueta: uma linha de até 8 palavras com tecido e caimento.
O que saiu pra etiqueta: “Viscose, solto na cintura, alonga. P ao GG.” Oito palavras. Imprimi 14 tags numa folha A4, a mãe cortou e pendurou. Cliente lê antes de chamar a gente. Menos “qual o tecido?” no balcão, mais “vou provar”.
A versão de Instagram veio com “link na bio”. Sempre vem, mesmo eu pedindo “chama no Whats”. Troco na mão. E a versão de WhatsApp na primeira vez terminou com “Fico à disposição!”. Ninguém fala assim no bairro. Mandei “termina como eu falaria no balcão” e ficou “Qual seu tamanho? Separo pra você provar”. Essa ficou.
Guardo as três versões numa nota do celular, uma nota por peça. Quando a cliente pergunta no WhatsApp, copio a versão 2 e mando. Se você montou as respostas rápidas do meu texto do WhatsApp, dá pra salvar como atalho, tipo “/floral”.
Passo 3 — Arara inteira de uma vez
Quando chega remessa, são 10, 15 peças. Fazer uma por uma dá 15 minutos, tudo bem. Mas dá pra fazer em lote, e eu faço assim quando a loja está cheia. Mando uma lista, uma peça por linha, com os dados da etiqueta, e peço a tabela.
Vou mandar uma lista de peças, uma por linha, com tecido, tamanhos, ocasião e como fica no corpo. Pra cada uma, escreva a versão Instagram (4 linhas com gancho) e a versão etiqueta (8 palavras). Mesmas regras: não invente tecido nem benefício, sem “elegante”, “versátil”, “imperdível”. Entregue em tabela com as colunas Peça, Instagram, Etiqueta. Lista: [calça pantalona, 96% poliéster 4% elastano, 36 ao 46, trabalho, cintura alta e afina; blusa de linho, 100% linho, P ao GG, dia a dia, amassa mas é fresca; …]
Na lista de 14, ela trocou o tecido de duas peças: pôs “linho” na blusa que era viscose com toque de linho. Erro meu na hora de ditar, erro dela em “corrigir” pra deixar mais bonito. Por isso a regra da casa: eu leio linha por linha com a etiqueta na mão antes de imprimir. Leva 3 minutos e evita vergonha.
Um detalhe: quando o tecido é misto, eu escrevo do jeito que está na etiqueta. “96% poliéster, 4% elastano” a IA tenta traduzir pra “tecido tecnológico”. Não deixo. Cliente que tem alergia a poliéster quer saber que é poliéster.
O resultado
Duas semanas depois de começar, peguei os números do próprio Instagram e do WhatsApp Business (Ferramentas comerciais › Estatísticas) e comparei com as duas semanas anteriores.
Os R$ 890 são conta minha: somei o que vendeu das 14 peças com descrição nova e comparei com a remessa anterior, do mesmo tamanho, que eu tinha postado com “várias cores 😍”. Não foi só o texto. Foi a cliente chegar no balcão já sabendo o tamanho. Mas ela só sabia por causa do texto.
Dona de uma loja de roupas femininas de bairro — física, Instagram e WhatsApp. Duas funcionárias e a mãe ajudando. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
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